sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.



Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.



A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.



...



Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...



A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.



Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.



Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.



Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.



E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.



Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!



Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.



Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...



Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!



Vinicius de Moraes

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

In loving memory



Thanks for all you've done
I've missed you for so long
I can't believe you're gone
You still live in me
I feel you in the wind
You guide me constantly
I've never knew what it was to be alone, no
Cause you were always there for me
You were always there waiting
And ill come home and I miss your face so
Smiling down on me
I close my eyes to see

And I know, you're a part of me
And it's your song that sets me free
I sing it while I feel I can't hold on
I sing tonight cause it comforts me

I carry the things that remind me of you
In loving memory of
The one that was so true
Your were as kind as you could be
And even though you're gone
You still mean the world to me

I've never knew what it was to be alone, no
Cause you were always there for me
You were always there waiting
But now I come home and it's not the same, no
It feels empty and alone
I can't believe you're gone

And I know, you're a part of me
And it's your song that sets me free
I sing it while I feel I can't hold on
I sing tonight cause it comforts me

I'm glad he set you free from sorrow
I'll still love you more tomorrow
And you will be here with me still

And what you did you did with feeling
And You always found the meaning
And you always will
And you always will
And you always will

Ooo's

And I know, you're a part of me
And it's your song that sets me free
I sing it while I feel I can't hold on
I sing tonight cause it comforts me


Alter Bridge

domingo, 16 de novembro de 2008


Choram os olhos
Sangra o peito
A alma,
qual fenómeno alquímico inverso,
transforma-se em chumbo.

Na cara resvala ainda
a frieza nas palavras
atiradas com raiva e desprezo.

Quando é que aprendo?

Porque me entrego?

Alguém merece?

Nesta sociedade utililatarista,
vive-se com os outros em função do seu valor de uso

Valores?
Porque é que quando penso em valores
penso em justiça
honestidade
amizade
entrega
lealdade?

Resposta simples:
-Sou uma idealista
uma lírica
uma fraca personagem
neste teatro em que vivo!

Pergunta mais complicada:
E vale a pena?
O outro dizia que
"tudo vale a pena se a alma não é pequena"

Quem raio sabe medir a alma?
E se medir, qual é o termo de comparação?
Até onde é pequena e a partir de onde se torna grande?

Mais fácil medir a estupidez!

E a tristeza!
Essa tambem é fácil de medir:
vai de "um bocadinho triste"
até à tristeza infinita,
aquela que nos traz à memória
a fúria das ondas lá muito em baixo...
a chamar... a chamar...

É, eu percebo disso,
é mais uma daquelas muitas coisas perfeitamente inúteis em que sou boa.

Vou deitar agora
e se acordar, vou acordar uma pessoa nova

Para se sobreviver é preciso respeitarmo-nos
E se temos o nosso respeito para que precisamos do dos outros?

Mas não...
Eu não consigo, eu não quero!
Eu não aceito esta sociedade descartável em que até as pessoas são de usar e deitar fora!
Eu não sou assim e não vou ser NUNCA!

São vocês: tu, tu, você e aqueles que estão errados
são vocês que não prestam
e não me vão convencer do contrário

Melhor morrer que viver na lama




My little black angel



Black angel, black angel
As you grow up
I want you to drink
From the plenty cup
My little black angel
My little black angel as years roll by
I want you to fly with wings held high
I want you to live by the justice code
I want you to burn down freedom's road
My little black angel
Oh lie away, oh lie away sleeping
Lie away safe in my arms
Your father, you future protects you
And locks you safe from all harm
Little black angel I feel so glad
You'll never have things I never had
When out of men's hearts all hate has gone
It's better to die than forever live on
My little black angel...

Death in June

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nuno


Ontem disseste, meu amor, que nasceste feio.
Nasceste, isso sim, o filho mais desejado e mais amado do mundo.
Lutei por ti, vivi para te dar vida, gerei-te no meu ventre e tudo ao meu redor passou a ser o mundo onde tu ias nascer. Cada flor, cada onda, cada estrela, tinha todo o sentido, estava ali para ti. Tudo fazia parte da dádiva que eu e o mundo numa cumplicidade biológica preparávamos para ti.
Nasceste numa noite fria e escura, a primeira noite de Dezembro e o meu mundo aqueceu e acendeu-se com os teus olhos. Choraste a música mais linda que já entrou nos meus ouvidos, encostei o teu coração ao meu enquanto cortavam o fio que nos unia e tu passavas a ter vida autónoma, a respirar o teu próprio ar, a iniciar o processo que fez de ti a pessoa maravilhosa que hoje és.
Que alegria mostrar-te o mundo, ensinar-te as coisas, dar-te a mão nos teus primeiros passos, teimar contigo que se dizia barrigudo em vez de baniputo, aconchegar-te a mim e cantar baixinho "o meu menino é d'oiro"!
Que agonia de morte as tuas dores, as tuas desilusões, o ter que te deixar crescer sem poder crescer por ti, caír por ti!
Não vale a pena tentar, já o fiz e sei que é impossível, explicar como te amo, como só posso ser feliz se fores feliz, como me orgulho de ser tua mãe, como abençoo cada minuto destes quase 26 anos.
Obrigada, meu filho, pelo homem que és, pelo bébé lindo que viverá sempre no meu coração.

Para ti, Sónia


As palavras que acabei de escrever são para ti Sónia, passrinho que se desenvolveu no ovo, picou a casquinha, espreita o mundo e se recolhe novamente na casinha onde já não cabe.
Pintinha, minha amiga que adoro, ouve o tic-tac do teu coração, enche os olhos das cores, sente o vento, o sol e a chuva, vê as nuvens, as estrelas, as flores e as borboletas...
Nada disso existe no teu ninho, cresceste, o mundo chama por ti. Bate as asinhas, pisa a poeira do chão com as patinhas frágeis. Mesmo que caias no teu primeiro voo, vais aprender a voar. Olha para o céu, vês as aves, os insectos a voar. Se eles tivessem ficado a olhar para o chão e a recear a queda, tinham morrido no ovo, no casulo... mas ali estão livres. Donos do mundo, do espaço que atravessam.
Voa passarinho, vive, sê feliz!