
Ontem disseste, meu amor, que nasceste feio.
Nasceste, isso sim, o filho mais desejado e mais amado do mundo.
Lutei por ti, vivi para te dar vida, gerei-te no meu ventre e tudo ao meu redor passou a ser o mundo onde tu ias nascer. Cada flor, cada onda, cada estrela, tinha todo o sentido, estava ali para ti. Tudo fazia parte da dádiva que eu e o mundo numa cumplicidade biológica preparávamos para ti.
Nasceste numa noite fria e escura, a primeira noite de Dezembro e o meu mundo aqueceu e acendeu-se com os teus olhos. Choraste a música mais linda que já entrou nos meus ouvidos, encostei o teu coração ao meu enquanto cortavam o fio que nos unia e tu passavas a ter vida autónoma, a respirar o teu próprio ar, a iniciar o processo que fez de ti a pessoa maravilhosa que hoje és.
Que alegria mostrar-te o mundo, ensinar-te as coisas, dar-te a mão nos teus primeiros passos, teimar contigo que se dizia barrigudo em vez de baniputo, aconchegar-te a mim e cantar baixinho "o meu menino é d'oiro"!
Que agonia de morte as tuas dores, as tuas desilusões, o ter que te deixar crescer sem poder crescer por ti, caír por ti!
Não vale a pena tentar, já o fiz e sei que é impossível, explicar como te amo, como só posso ser feliz se fores feliz, como me orgulho de ser tua mãe, como abençoo cada minuto destes quase 26 anos.
Obrigada, meu filho, pelo homem que és, pelo bébé lindo que viverá sempre no meu coração.
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