domingo, 16 de novembro de 2008


Choram os olhos
Sangra o peito
A alma,
qual fenómeno alquímico inverso,
transforma-se em chumbo.

Na cara resvala ainda
a frieza nas palavras
atiradas com raiva e desprezo.

Quando é que aprendo?

Porque me entrego?

Alguém merece?

Nesta sociedade utililatarista,
vive-se com os outros em função do seu valor de uso

Valores?
Porque é que quando penso em valores
penso em justiça
honestidade
amizade
entrega
lealdade?

Resposta simples:
-Sou uma idealista
uma lírica
uma fraca personagem
neste teatro em que vivo!

Pergunta mais complicada:
E vale a pena?
O outro dizia que
"tudo vale a pena se a alma não é pequena"

Quem raio sabe medir a alma?
E se medir, qual é o termo de comparação?
Até onde é pequena e a partir de onde se torna grande?

Mais fácil medir a estupidez!

E a tristeza!
Essa tambem é fácil de medir:
vai de "um bocadinho triste"
até à tristeza infinita,
aquela que nos traz à memória
a fúria das ondas lá muito em baixo...
a chamar... a chamar...

É, eu percebo disso,
é mais uma daquelas muitas coisas perfeitamente inúteis em que sou boa.

Vou deitar agora
e se acordar, vou acordar uma pessoa nova

Para se sobreviver é preciso respeitarmo-nos
E se temos o nosso respeito para que precisamos do dos outros?

Mas não...
Eu não consigo, eu não quero!
Eu não aceito esta sociedade descartável em que até as pessoas são de usar e deitar fora!
Eu não sou assim e não vou ser NUNCA!

São vocês: tu, tu, você e aqueles que estão errados
são vocês que não prestam
e não me vão convencer do contrário

Melhor morrer que viver na lama




My little black angel



Black angel, black angel
As you grow up
I want you to drink
From the plenty cup
My little black angel
My little black angel as years roll by
I want you to fly with wings held high
I want you to live by the justice code
I want you to burn down freedom's road
My little black angel
Oh lie away, oh lie away sleeping
Lie away safe in my arms
Your father, you future protects you
And locks you safe from all harm
Little black angel I feel so glad
You'll never have things I never had
When out of men's hearts all hate has gone
It's better to die than forever live on
My little black angel...

Death in June

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nuno


Ontem disseste, meu amor, que nasceste feio.
Nasceste, isso sim, o filho mais desejado e mais amado do mundo.
Lutei por ti, vivi para te dar vida, gerei-te no meu ventre e tudo ao meu redor passou a ser o mundo onde tu ias nascer. Cada flor, cada onda, cada estrela, tinha todo o sentido, estava ali para ti. Tudo fazia parte da dádiva que eu e o mundo numa cumplicidade biológica preparávamos para ti.
Nasceste numa noite fria e escura, a primeira noite de Dezembro e o meu mundo aqueceu e acendeu-se com os teus olhos. Choraste a música mais linda que já entrou nos meus ouvidos, encostei o teu coração ao meu enquanto cortavam o fio que nos unia e tu passavas a ter vida autónoma, a respirar o teu próprio ar, a iniciar o processo que fez de ti a pessoa maravilhosa que hoje és.
Que alegria mostrar-te o mundo, ensinar-te as coisas, dar-te a mão nos teus primeiros passos, teimar contigo que se dizia barrigudo em vez de baniputo, aconchegar-te a mim e cantar baixinho "o meu menino é d'oiro"!
Que agonia de morte as tuas dores, as tuas desilusões, o ter que te deixar crescer sem poder crescer por ti, caír por ti!
Não vale a pena tentar, já o fiz e sei que é impossível, explicar como te amo, como só posso ser feliz se fores feliz, como me orgulho de ser tua mãe, como abençoo cada minuto destes quase 26 anos.
Obrigada, meu filho, pelo homem que és, pelo bébé lindo que viverá sempre no meu coração.

Para ti, Sónia


As palavras que acabei de escrever são para ti Sónia, passrinho que se desenvolveu no ovo, picou a casquinha, espreita o mundo e se recolhe novamente na casinha onde já não cabe.
Pintinha, minha amiga que adoro, ouve o tic-tac do teu coração, enche os olhos das cores, sente o vento, o sol e a chuva, vê as nuvens, as estrelas, as flores e as borboletas...
Nada disso existe no teu ninho, cresceste, o mundo chama por ti. Bate as asinhas, pisa a poeira do chão com as patinhas frágeis. Mesmo que caias no teu primeiro voo, vais aprender a voar. Olha para o céu, vês as aves, os insectos a voar. Se eles tivessem ficado a olhar para o chão e a recear a queda, tinham morrido no ovo, no casulo... mas ali estão livres. Donos do mundo, do espaço que atravessam.
Voa passarinho, vive, sê feliz!

O futuro é uma abstração irreal


O futuro não existe.
Nós podemos até acreditar que sim, podemos levar a vida inteira a medir os nossos passos, a podar os sentimentos, a cortar os rebentinhos dos nossos desejos, a virar as costas à luz, a encolher-nos no escuro, a esconder as emoções... nada disso adianta, nada disso resolve, nada disso faz mais do que impedir-nos de viver.
O futuro não existe.
Nada é certo até que se torne presente.
Não faz qualquer sentido deixar que o medo diário da dor que se pensa que o futuro pode trazer impeça que abracemos o que realmente existe, o que está aqui e agora, o que vive, que brilha, que doi, que aquece, que alegra, que aconchega, que dá côr, movimento, riso...
O futuro não existe.
Sente o presente nas tuas mãos, no teu coração! Vive-o porque só podes viver o presente.
O futuro não existe!

domingo, 12 de outubro de 2008

Devil's Tower


Os sentimentos são bichos muito complicados. São qualquer coisa tipo doença infecciosa que se introduz no organismo, instala-se e altera completamente a nossa qualidade de vida.
Tal como um virus latente, manifesta-se com sintomas desagradáveis de vez em quando. Só que, não sei porquê, já que acredito que a industria farmacêutica teria muito a ganhar com isso, ainda não inventaram nem vacina, nem qualquer tipo de medicamento que lhe ponha fim.
Eu sou, infelizmente, uma pessoa que sofre desta doença de forma crónica.
Como é normal com este tipo de enfermidades, habituei-me, desde a infância a viver com ela e até me esqueço que a tenho no dia a dia. Mas depois há estas fases em que sinto as dores terríveis que ela provoca. Alturas em que queria ser planta, insecto, pedra,... qualquer coisa menos este ser sensível que sofre as consequencias de se entregar, de amar, de se dar sem condições.
O amor e a amizade, coisas que muito prezo normalmente, surgem assim com a sua verdadeira essência:
Cada pessoa que se ama, cada pessoa em que confiamos, é um elo numa corrente que se aperta à nossa volta em cada dar de mãos, em cada abraço, em cada afastar os cabelos da testa, em cada palavra amiga, em cada gesto de ternura.
Deve ser bom ser livre. Eu não sou livre. Eu gosto das pessoas. Eu sou prisioneira numa torre de pedra que se ergue muito alta sobre o mundo. Só que esta cadeia tem portas falsas: permitem que os outros entrem e saiam a seu bel-prazer (meu Deus, e que correpio... ) mas, se tento saír, cerram-se à minha aproximação.
Cúmulo da estupidez:
Ninguém me fechou aqui, fui eu que, pedrinha a pedrinha, fui erguendo esta fortaleza em que me encerrei e onde vou derramando lágrimas ácidas que me queimam, deixando sulcos de tristeza, decepção, desencanto no meu rosto, até ao meu fim.
Tento desligar os meus sentidos:
Não ouvir, não sentir, não ver o que se passa à minha volta.
Impossível:
Fecho os olhos com força, mas tudo o que existe, não está à minha volta, não é paisagem, não é erva, pessoa, animal, astro, água,...
Não, não adianta fechar os olhos:
Está tudo aqui dentro de mim!